sábado, 9 de maio de 2009

RYAN

O resgate do soldado Ryan é um filme genial. Ele tem muitos aspectos q podem ser consideramos, mas não escrevo tanto assim. Falarei sobre o começo e o fim.
O desembarque na Normandia é provavelmente a cena de combate mais impressionante que eu já vi. Saiamos da cena e pensemos abstratamente. O que define os que viveram e os pereceram? Quando cai a frente das balsas, balas vêm de balas por todos os lados. Uma fileira, um centímetro, um capacete. Ali você vive ou morre por um detalhe. Alheio e imponderável detalhe. Quantas vezes desembarcamos na Normandia durante nossa existência? Quanto de imponderável e quanto de escolhas há no sucesso e no fracasso? Não sei.
Vamos para a última cena. Ryan precisa dizer para si mesmo que as vidas dos homens que morreram por sua vida foram recompensadas. Afinal foi apenas isso que lhe foi cobrado por um deles antes de morrer: “mereça”. Como fazemos por merecer esta dádiva divina? Como fazemos valer a pena os corpos deixados no caminho? Não sei.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mais um ano

Sou um cara egocêntrico. Não há como negar. No ano passado, fiz um texto na época do meu aniversário, que é quando efetivamente acaba o ano para mim, falando sobre o sentimento de finitude. Pela primeira vez na vida vi em mim sinais de que a vida não é progressiva e sim regressiva. Uma contagem para o fim, o finados. Mas este ano, pensei antes do fim do meu ano e pensei no fim do ano. Na verdade é um pensamento sobre o mesmo fim, mas de forma diferente. Este ano perdi meu primeiro amigo. Nunca tive contato com a morte. Até este ano não tinha morrido ninguém que realmente representasse uma falta para mim. Pois é. Este ano eu perdi um amigo. Alguém que me leve a pensar na ausência de alguém, que eu realmente nunca mais vá ver, conversar. Este texto é apenas uma ode a um amigo que eu não pude me despedir e que fará muita falta. Onde estiver, boa sorte meu amigo Elio Vieira de Farias.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Objetivos

Há o que sentimos do mundo, o que entendemos, o que qualificamos... pois é. Existem gênios vendedores de livros, prestadores de palestras e baratos afins. Em todos os eventos corporativos, motivacionais e livros de auto-ajuda é ensinado que você precisa de foco. Traçar metas. Definir objetivos. Pois é. Sei não. Não consigo concordar com isso. Não consigo compartilhar essa obsessão e neurose cotidiana em busca de metas e objetivos. Vejo o foco como uma coisa que restringe a visão. Em busca de nossos objetivos acabamos por não ver o que se passa a nossa volta, acabamos por não aproveitar os momentos de nossa vida. Uma vida não é uma sucessão de metas, mas sim este contínuo caminhar do nascimento até a morte e toda a infinitude de possibilidades que este caminho nos oferece.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Identidade

As pessoas procuram identidade. Pode ser na religião, no time, no bairro, na história de vida, na visão de mundo... por algum tempo eu sentia um leve desconforto quando me sentia pertencendo a um grupo e este grupo me rejeitava. É a vida. As vezes você tem a clara sensação de identidade com um grupo mas este grupo não se identifica com você. Quem está errado? Eles ou você. Por uma questão numérica, digo q é você. Não existe grupo errado, existe você errado. Você pensando que você é algo que não identificam em você. Conceitualmente falando, se você de considera algo que outras pessoas não consideram você, ou você tem uma puta paz de espírito, ou aprenda q você é só você, e o resto é o resto.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Julgamento

O que nós sentimos é uma coisa tão nossa, mas tão nossa que só nós sentimos. Obvio? Claro, se colocado desta forma. Não raras vezes tentamos julgar os sentimos dos outros. Julgar as impressões e atitudes alheias. E podemos? Claro. Nós podemos tudo, os outros aceitam se quiserem. É quase irreprimível o instinto de julgar. Contudo é melhor que saibamos que nunca seremos justos. A justiça do nosso julgamento atem-se às nossa impressões, aos nossos sentimentos. Nosso sentimento é uma coisa tão nossa, mas tão nossa que só nós sentimos...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Justiça

É estranho nosso processo de negação. Gosto muito de assistir House M.D. Mas nunca escrevi sobre ele. Pois vamos.
Os dois últimos capítulos de House falam sobre um acidente e pessoas próximas envolvidas. A trama gira em torno das lembranças de House e a doença de Amber, namorada de Wilson, o melhor amigo dele. Mas isso não importa. O que me atrai nesta série não é o a ficção, a história. Isso me diverte, como “Múmias” também me diverte. O que interessa são as propostas éticas que são apresentadas. Neste capítulo temos várias delas.
Que vida vale mais? Quando não há mais nada a fazer para descobrir o que há com Amber, Wilson pede para House tentar um procedimento maluco que poderá trazer a memória que falta para fechar o quebra cabeça. House pergunta: “Você que eu arrisque minha vida para tentar salvar a sua namorada?” Wilson responde que sim e House faz. No procedimento maluco, ele descobre que ela irá morrer. É algo incurável. E que ela só sofreu o acidente que desencadeou o problema porque House estava bêbado, sem condições de dirigir e ligou para ir busca-lo. A rigor, a culpa é de House. Então ele tem uma convulsão e fica em coma. Mas voltemos a questão. Qual vida vale mais? Podemos pedir que alguém arisque a vida pela vida de alguém querido? E se quem arriscou a vida for o culpado por tudo, será que isso o redime? Como podemos lidar com a culpa, com a raiva, com a dor da morte de alguém?
O que é justo? Dentro do coma, House tem uma conversa imaginária com a morta. Eles estão no ônibus acidentado. Nesta caso, o ônibus para a morte. Lá pelas tantas ele fala que quer ficar ali, morto. Que bêbados miseráveis e infelizes deviam morrem em acidentes, e não jovem apaixonadas e de bom coração, ou algo assim. A vida é justa? A morte é justa? Ele quer ficar ali, porque ali ele não sente dor, não sente culpa, não tem que lidar com a infelicidade diária da vida. A vida é justa? A morte é justa?
Não tenho resposta para nenhuma dessas perguntas, mas é interessante pensar nelas. O mundo não é sério, isso eu digo com certeza. Talvez não seja justo, mas isso eu não tenho certeza. Mas pode ser divertido.

sábado, 24 de maio de 2008

Eu e o universo

Completando o trabalho, seguem os últimos de minha pré temporada. Estes são mais universais. Divitam-se e comentem.

ESTRANHO

Nosso mundo é estranho. Até aí tudo bem, afinal dada suas dimensões e infinitas possibilidades, alguns milhares de anos da humanidade, ou desse aglomerado de seres que se comunicam e cultuam seus mortos, e mais os outros aspectos levados em conta no conceito de cultura de Alfredo Bosi, sempre haverá algo para estranhar. Estranho mesmo é quando estranhamos nosso mundo. Nosso infinito particular, segundo Marisa Monte. Adoro a expressão. Nós acreditamos em nós. Acreditamos saber quem somos o que queremos, o que é importante para nós, o que nós faremos quando algo acontecer, o que não faremos. Pois bem. Geralmente nos estranhamos, pois nossas certezas, nossas convicções em relação a nós mesmos são colocadas à prova. E em algum momento nós vamos nos estranhar. Então, quem somos nós? Este novo estranho. Bem-vindo ao seu novo mundo. Até porque seu mundo é um infinito, um infinito particular.

DERROTAS E VITÓRIAS

Perder é bom? Claro que não. Sempre é doloroso ser derrotado, em toda a abrangência semântica que damos ao termo. Podemos perder no trabalho, nas finanças, na vida social, nos estudos... e por aí vai. Contudo perder é inevitável. Não há como vencer todas as batalhas, por melhor que você seja, por mais que você faça, em algum momento, em algum lugar, para alguém, você vai perder. Ganhar é bom? Claro que sim. É sempre prazeroso ganhar. Entretanto quando ganhamos, tendemos a nos impressionar mais com nossos troféus do que com nossa vitória em si. O caminho percorrido, os obstáculos superados e baratos afins. A derrota nos ensina muito e a vitória nos ensina pouco. Ainda assim, prefiro vencer. Mas se vier a perder, saber perder, analisar os motivos que levaram a derrota, lidar com o sentimento de perda, podem ser troféus valiosos.

MUDANÇAS E MENTIRAS

Como nós mudamos? Não sei. Em grande parte, nós somos nossas histórias. Claro que cada um reage de uma forma diferente aos estímulos da vida. Isso é que faz dois gêmeos idênticos serem diferente. Marx dizia que fazemos a história não como queremos, mas como podemos. É assim na história da sociedade, mas será assim em nossa história individual? Não sei. Quando nós acreditamos em uma coisa, ou somos, ou estamos de alguma forma e queremos mudar isso, mas temos alguma dificuldade, nós estamos mentindo para nós mesmo. Seja para permanecer como estamos, seja para mudar para algo que não somos, estamos, acreditamos. Qual é a mentira? O atual ou o projeto? O presente, carregado de passado ou o futuro? Mais uma pergunta de um milhão de dólares, mais uma resposta que eu não posso oferecer.


CONSELHOS

Tenho a impressão que conselhos não são coisas boas. Ainda que a maioria de nós queiramos ser felizes, o que torna cada um de nós felizes são coisas diferentes. De um modo geral, nossos valores são diferentes. Diante de escolhas em que uma de duas coisas que nos são caras será privilegiada em detrimento da outra, é difícil sugerir. Podemos até saber o que faríamos no lugar do outro, mas é pouco provável que tenhamos convicção da escala de valores dos outros. Quer dar conselhos, dê. Quer pedir, peça. Mas se der, saiba que muitas vezes você pode estar levando a outra pessoa à infelicidade, ou colocando-a em dúvidas na sua análise de valores. E se você quer receber, saiba que ninguém é melhor do que você mesmo para decidir sua vida. Caso haja arrependimento, saiba que a culpa é solitariamente sua.